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AGRONEGÓCIO

Dólar oscila e mercado reage a inflação no Brasil e cenário internacional

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Inflação de abril impulsiona reações do mercado

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (9) o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é considerado a inflação oficial do país. O indicador apontou uma alta de 0,43% nos preços em abril, em linha com as expectativas dos analistas do mercado financeiro.

Entre os nove grupos de produtos e serviços avaliados, oito apresentaram elevação de preços, com destaque para os segmentos de Alimentação e bebidas e Saúde e cuidados pessoais.

Dólar recua levemente após forte queda na véspera

Por volta das 9h40, o dólar operava em leve queda de 0,07%, sendo negociado a R$ 5,6569. Na quinta-feira (8), a moeda norte-americana já havia recuado 1,47%, encerrando o dia a R$ 5,6611.

Com esses movimentos, o dólar apresenta:

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  • Alta de 0,13% na semana;
  • Queda de 0,28% no mês;
  • Desvalorização de 8,39% no acumulado do ano.
Ibovespa mantém trajetória de alta e atinge maior nível em oito meses

O principal índice da Bolsa de Valores brasileira, o Ibovespa, encerrou o pregão de quinta-feira (8) em alta de 2,12%, aos 136.231 pontos, atingindo o maior patamar desde setembro de 2024. O desempenho positivo reflete o otimismo do mercado com os resultados corporativos e os desdobramentos econômicos recentes.

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Com o avanço, o índice acumula:

  • Alta de 0,81% na semana;
  • Valorização de 0,86% no mês;
  • Ganhos de 13,26% no ano.
Acordo entre EUA e Reino Unido anima investidores

O anúncio de um novo acordo comercial entre Estados Unidos e Reino Unido, firmado na quinta-feira (8), trouxe otimismo ao mercado global. O tratado prevê a criação de uma zona de comércio para alumínio e aço, além de medidas para fortalecer a cadeia de suprimentos farmacêutica.

O acordo também inclui:

  • Redução de tarifas sobre automóveis britânicos de 27,5% para 10%;
  • Eliminação de impostos sobre aço e alumínio britânicos exportados aos EUA.

Segundo o ex-presidente Donald Trump, o pacto pode aumentar em US$ 6 bilhões a receita externa norte-americana e gerar US$ 5 bilhões em novas oportunidades de exportação. O mercado interpretou o tratado como um possível alívio nas tensões comerciais globais.

Decisões sobre juros repercutem no mercado

O cenário monetário também segue no foco dos investidores. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu elevar a taxa Selic para 14,75%. A medida foi justificada pela combinação de incertezas externas, especialmente ligadas à guerra comercial, e o elevado nível de gastos do governo brasileiro.

O comunicado da decisão destacou a necessidade de cautela adicional e flexibilidade por parte da política monetária. De acordo com Rafael Cardoso, economista-chefe do Banco Daycoval, o Copom passou a considerar mais fortemente os riscos internacionais.

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Daniel Cunha, estrategista-chefe da BGC Liquidez, acredita que o Banco Central está sinalizando uma possível pausa no ciclo de alta da Selic, o que ajudaria a conter o impacto negativo sobre a economia.

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Fed mantém juros e enfrenta críticas de Trump

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) manteve os juros inalterados pela terceira reunião consecutiva, mesmo sob pressão do ex-presidente Donald Trump, que critica publicamente o presidente do banco central, Jerome Powell.

Trump chegou a sugerir a demissão de Powell — apesar de não ter autoridade legal para tal — e afirmou que o Fed “se recusa” a cortar os juros, acrescentando que Powell “não está apaixonado” por ele.

Powell respondeu que as críticas do ex-presidente não afetam as decisões do banco central e que prefere aguardar antes de realizar ajustes na política monetária. Ele também reforçou que as incertezas comerciais continuam a pesar sobre a economia dos Estados Unidos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

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Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

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Fonte: Pensar Agro

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