Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.
CARLINDA

AGRONEGÓCIO

Embargo europeu freia na alta do boi mesmo com nova cota dos EUA

Publicado em

A arroba do boi gordo começa setembro com possibilidade de valorização, sustentada pela menor oferta de animais e pela abertura de uma cota adicional para importação de carne bovina pelos Estados Unidos. O avanço dos preços, entretanto, deverá ser moderado, porque a suspensão das compras pela União Europeia retirou temporariamente um mercado importante para cortes brasileiros de maior valor.

A medida norte-americana permite a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina entre setembro e novembro com tarifa reduzida. O volume não é exclusivo do Brasil e será disputado por diferentes fornecedores, mas frigoríficos brasileiros estão entre os mais bem posicionados para ampliar as vendas, principalmente de cortes do dianteiro utilizados na produção de carne moída.

A nova demanda pode aumentar a necessidade de compra de gado pelos frigoríficos exportadores e dar sustentação à arroba. O efeito não deverá ser imediato nem uniforme, porque dependerá da participação conquistada pelo Brasil dentro da cota e da habilitação de cada unidade industrial para vender ao mercado norte-americano.

Do outro lado, a interrupção dos embarques para os 27 países da União Europeia reduz o espaço para uma reação mais forte. Embora o bloco compre menos carne brasileira que a China em volume, o mercado europeu tem importância estratégica por demandar produtos de maior valor agregado e remunerar melhor determinados cortes.

Advertisement
Saiba Mais

A suspensão também cria a necessidade de redirecionar mercadorias preparadas para os padrões europeus. Parte da produção poderá ser vendida a outros países, mas a substituição não ocorre de forma automática. Cada mercado procura cortes, embalagens e especificações diferentes, e a troca de destino pode reduzir o preço recebido pela indústria.

A União Europeia afirmou que as importações poderão ser retomadas assim que o Brasil comprovar o atendimento às exigências sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. O porta-voz para o Comércio da Comissão Europeia, Olof Gill, declarou que as regras são “proporcionais e não discriminatórias” e que os parceiros comerciais receberam informações e tempo para se adaptar.

Leia Também:  Ruptura em supermercados recua para 11,7% em março, mas itens essenciais seguem pressionando abastecimento no Brasil

Segundo a Comissão Europeia, as normas foram introduzidas em 2018, passaram a ser exigidas dos produtores do bloco em 2022 e agora começaram a valer para os fornecedores estrangeiros. Bruxelas sustenta que o controle da resistência aos antimicrobianos é uma prioridade de segurança alimentar e que as mesmas condições são aplicadas aos produtores europeus e aos países interessados em vender ao mercado comum.

A resposta contraria a posição do governo brasileiro. Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Ministério das Relações Exteriores afirmaram que o país implementou as medidas necessárias, apresentou documentos e forneceu as garantias solicitadas pelas autoridades europeias.

O governo também criticou a ausência de diálogo antes da adoção da restrição e indicou que poderá recorrer a medidas de reciprocidade caso as negociações não produzam uma solução satisfatória. Entre as possibilidades estão instrumentos previstos na legislação brasileira, no sistema multilateral de comércio e no Acordo Mercosul-União Europeia.

Advertisement
Saiba Mais

A posição brasileira é que carnes, ovos, pescados e mel foram incluídos nas cotas e reduções tarifárias negociadas no acordo entre os dois blocos. A retirada desses produtos do mercado europeu, segundo o governo, reduz os ganhos esperados pelo Brasil e pode alterar o equilíbrio das concessões acertadas durante a negociação comercial.

No mercado pecuário, a disputa ocorre em um momento de tentativa de recuperação dos preços. Segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado, a arroba encerrou agosto a R$ 345 em São Paulo, com recuo de 1,43% em relação ao final de julho. Em Goiás e Minas Gerais, o valor chegou a R$ 335, alta de 3,08%.

Leia Também:  Soja enfrenta pressão da oferta global, mas óleo sustenta mercado e margens de esmagamento

Em Mato Grosso do Sul, a arroba terminou o mês cotada a R$ 345, avanço de aproximadamente 3%. Mato Grosso registrou R$ 330, valorização de 1,54%, enquanto Rondônia chegou a R$ 333, com aumento de 2,46%.

Os preços perderam força durante agosto porque os grandes frigoríficos conseguiram ampliar as escalas de abate com animais provenientes de parcerias e confinamentos próprios. Essa oferta reduziu a necessidade de disputar gado no mercado e limitou a valorização observada em parte das regiões produtoras.

Advertisement
Saiba Mais

No atacado, o quarto dianteiro encerrou agosto cotado a R$ 20 por quilo, praticamente estável. O quarto traseiro recuou 1,89%, para R$ 26 por quilo. A carne bovina também enfrentou maior concorrência do frango e da carne suína, proteínas geralmente mais acessíveis ao consumidor.

Para setembro, a entrada dos salários, a redução gradual da oferta de animais terminados e a demanda dos Estados Unidos podem melhorar o ambiente de negociação. A tendência, porém, é de uma alta controlada, sem movimento explosivo da arroba enquanto permanecer a incerteza sobre o mercado europeu.

Uma recuperação mais consistente poderá ocorrer no fim do ano, quando frigoríficos começarem a contratar animais para atender aos embarques de 2027, especialmente para a China. Até lá, o preço recebido pelo pecuarista dependerá do tamanho das escalas de abate, da participação brasileira na cota dos Estados Unidos e da velocidade das negociações para reabrir o mercado europeu.

Fonte: Pensar Agro

Advertisement
Saiba Mais

Advertisement

AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

Published

on

A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

Advertisement
Saiba Mais

“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Leia Também:  Agro apresenta modelo sustentável como solução global na COP 30

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

Advertisement
Saiba Mais
Leia Também:  Conab refaz os cálculos e prevê novo recorde para a safra 2023/2024: 319,5 milhões de toneladas

O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Advertisement
Saiba Mais

Fonte: Pensar Agro

Continue Reading

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

CARLINDA26/09/2026

Polícia Militar intercepta suspeitos durante sequestro de mulher em Carlinda

Uma mulher foi retirada à força de sua residência durante uma ocorrência de sequestro e organização criminosa, registrada na manhã...

POLÍCIA24/09/2026

Governo de MT suspende notícias institucionais do Portal em cumprimento às normas eleitorais

Em cumprimento à legislação eleitoral, o Governo de Mato Grosso suspende, a partir deste sábado (4.7), a exibição das notícias...

POLÍTICA MT23/09/2026

Leis estaduais reforçam ações de prevenção e segurança no trânsito em Mato Grosso

Leis aprovadas pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nos últimos anos tratam de situações de risco no trânsito e...

POLÍTICA MT22/09/2026

Estudantes da Unemat se preparam para a 2ª edição do Troféu Parlamento

A Secretaria de Comunicação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (Secom/ALMT) visitou, na última sexta-feira (18), o curso de Jornalismo...

POLÍTICA MT22/09/2026

Atendimentos no Espaço Cidadania estão mantidos durante o período eleitoral

Os atendimentos do Espaço Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT) seguem normalmente durante o período eleitoral....

POLÍTICA MT21/09/2026

Comunicação pública da ALMT é tema de palestra nos 20 anos de Jornalismo da Unemat

Tornar a informação pública mais clara, ampliar a transparência e aproximar o cidadão das decisões do Parlamento estão entre os...

POLÍTICA MT21/09/2026

Câmaras setoriais e frentes parlamentares ampliam diálogo com a sociedade

Neste segundo semestre, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) ampliou os espaços de diálogo e participação na construção de...

CARLINDA

POLÍCIA

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

MAIS LIDAS DA SEMANA