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AGRONEGÓCIO

Estudantes vivenciam o agronegócio brasileiro para desenvolver visão global e networking

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Caio Rennó de Souza, estudante de Economia na Faculdade de Campinas (FACAMP), sempre teve interesse em compreender na prática como funciona o agronegócio que movimenta o Brasil. Apesar de já ter participado de visitas técnicas, ele sentia que faltava uma experiência mais completa.

“Eu queria ver de perto o que acontece no coração produtivo do país e, mais do que isso, conhecer as pessoas que fazem acontecer”, conta Caio. Esse desejo o levou a se inscrever em uma imersão acadêmica promovida pelo programa FACAMP Conecta e organizada pela Agrotravel, empresa especializada em viagens técnicas e experiências de aprendizagem no setor agro. O destino foi o Mato Grosso, um dos principais polos do agronegócio nacional.

“Lá, tudo é feito em larga escala. Eu precisava viver isso”, resume o estudante.

Operações em larga escala e tecnologia impressionam alunos

Mais do que uma simples viagem técnica, a experiência proporcionou a Caio contato direto com produtores, gestores e profissionais do agro. “O que mais me surpreendeu foi o tamanho e a organização das operações, o nível de tecnologia utilizada e de gestão… e, especialmente, a oportunidade de trocar ideias com quem está à frente do setor. Cada conversa foi uma verdadeira aula viva”, destaca.

Curadoria especializada e networking como diferencial competitivo

O programa foi estruturado para integrar teoria e prática, priorizando o conhecimento técnico e a construção de relações estratégicas. Por trás da agenda está Fábio Torquato, economista, especialista em relações internacionais e fundador da Agrotravel.

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“O agronegócio brasileiro é um dos mais competitivos do mundo, mas ainda existe distanciamento entre a formação tradicional e a realidade do campo. Levar os estudantes para o centro produtivo, conhecer produtores e gestores e trocar experiências é essencial para formar profissionais com visão estratégica e global”, afirma Torquato.

Segundo ele, entender o agro como um setor internacional e cultivar relacionamentos sólidos é uma habilidade-chave. “Em 2024, o Brasil movimentou cerca de US$ 164 bilhões em exportações do agronegócio, liderando o mercado em soja, carne bovina, açúcar e café. Quem compreende essas dinâmicas e constrói conexões ganha um diferencial competitivo enorme”, acrescenta.

Aprendizado direto no campo transforma percepção de alunos

Para Caio, a maior aprendizagem veio da interação com quem atua diariamente no campo. “Em sala, estudamos teoria, mercado e dados, mas ver como o produtor lida com clima, logística, preços e mão de obra, e ainda poder trocar experiências com eles, é outra coisa. Foram verdadeiras aulas de economia aplicada ao agro”, explica.

A imersão também mudou sua percepção sobre o setor. “Passei a entender melhor a responsabilidade, a complexidade e as oportunidades do agronegócio. Não é só produzir soja ou criar gado, é um ecossistema que envolve inovação, estratégia, resiliência e relacionamentos sólidos”, conclui.

FACAMP Conecta: experiência prática e internacional

O módulo FACAMP Agro, parte do programa FACAMP Conecta, combina aulas teóricas com imersões em polos do agronegócio, como Sinop e Sorriso, no Mato Grosso. Já o módulo Startup Já! leva os alunos ao Vale do Silício (EUA), para conhecer empresas de tecnologia que impactam diretamente o setor.

“Criamos o FACAMP Agro para aproximar nossos alunos do mundo do agronegócio, valorizando o currículo e proporcionando experiências práticas e oportunidades reais de networking. E este é só o começo”, afirma Rodrigo Sabbatini, pró-reitor da FACAMP.

Pedro Martins, empreendedor e idealizador do projeto, destaca a parceria com a Agrotravel: “Além da experiência na organização de viagens de negócios, a equipe se mostrou engajada em cocriar um programa único, unindo conteúdo acadêmico a vivências reais e encontros estratégicos com protagonistas do agro brasileiro”.

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Setor agro se revela como ecossistema estratégico

Para Caio, o agronegócio agora se apresenta como um setor complexo, estratégico e repleto de oportunidades. “Se você tem interesse no agro, vá além da teoria e busque vivenciar o setor na prática. É uma rede de aprendizado, conexões e experiências que abre portas para crescer de verdade”, finaliza.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Estudo da USP aponta 17 pontos que encarecem o frete e entidades do agro cobram mudanças

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Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) deu força à pressão da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) por mudanças no cálculo do piso mínimo do frete. O levantamento identificou 17 pontos que podem estar elevando artificialmente os valores, sobretudo no transporte de grãos em trajetos curtos e nas operações de maior produtividade.

As conclusões foram apresentadas durante o processo de revisão da regulamentação conduzido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A FPA e entidades do setor produtivo querem que a agência utilize os custos efetivamente observados nas estradas brasileiras, em vez de parâmetros que, segundo o estudo, já não representam a realidade da frota e das transportadoras.

O trabalho foi elaborado pelo Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-Log), ligada à USP. Os pesquisadores analisaram jornada de trabalho, consumo de combustível, idade dos caminhões, quantidade de eixos, retorno vazio, depreciação dos veículos e produtividade das operações.

Uma das principais distorções estaria no número de horas trabalhadas. A metodologia atual considera uma utilização mensal de 181 horas para calcular quanto os custos fixos representam em cada viagem. Para os pesquisadores, esse parâmetro indica uma subutilização do caminhão e do tempo legalmente disponível do motorista.

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A proposta é elevar a referência para 220 horas mensais. Com mais horas de utilização, despesas como depreciação, remuneração do capital e salário do motorista seriam distribuídas por um número maior de viagens, reduzindo o custo atribuído a cada quilômetro rodado.

Apenas essa alteração poderia diminuir em 7,6%, na média, os valores calculados para o piso. No transporte de grãos, a diferença ficaria entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância percorrida e da configuração do caminhão.

Em uma operação com piso de R$ 10 mil, uma diferença de 11% representa aproximadamente R$ 1,1 mil por viagem. Para uma empresa, cooperativa ou produtor que contrate cem viagens durante a colheita, o custo adicional pode superar R$ 110 mil.

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O impacto é ainda maior nas regiões afastadas dos portos. Como soja, milho, algodão e outras commodities percorrem centenas ou milhares de quilômetros até os terminais de exportação, o frete interfere diretamente no valor recebido pelo produtor. Quanto maior o custo logístico, menor tende a ser o preço pago pela produção na origem.

O estudo também questiona a vida econômica de sete anos utilizada pela tabela para calcular a depreciação dos caminhões. Dados da própria ANTT mostram que os veículos de tração em circulação no país possuem idade média de 16,4 anos.

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Na avaliação dos pesquisadores, utilizar um período muito menor concentra a perda de valor do veículo em poucos anos e eleva o custo de cada viagem. A adoção de uma referência de 16 anos poderia reduzir entre 6% e 10% o valor calculado para o transporte de grãos, conforme o percurso e o tipo de composição veicular.

A FPA pretende usar esses resultados para pressionar pela adoção do custo operacional efetivo como base da nova regulamentação. O argumento é que a tabela precisa garantir a remuneração do transportador, mas não pode incluir despesas teóricas ou superestimadas que encareçam artificialmente a movimentação da produção brasileira.

Entidades do setor encaminharam à ANTT 15 contribuições. Entre elas estão a retirada de componentes que não representem desembolso efetivo, a criação de regras específicas para operações de alto desempenho e um tratamento mais preciso para viagens com retorno vazio.

A proposta busca diferenciar situações que atualmente acabam submetidas a parâmetros semelhantes. Um caminhoneiro autônomo que percorre longa distância e retorna sem carga enfrenta custos diferentes de uma transportadora com contratos recorrentes, frota mais produtiva e carga garantida nos dois sentidos.

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A pressão da bancada também alcança a Lei 15.485/2026, que ampliou a fiscalização sobre o piso mínimo e estabeleceu prazo máximo de 30 dias úteis para o pagamento do frete. A FPA participou da negociação do texto aprovado pelo Congresso, mas critica os vetos feitos pela Presidência da República.

Os parlamentares defendem a recuperação de dispositivos que, segundo a bancada, foram construídos para equilibrar a proteção aos caminhoneiros e os custos suportados pelo setor produtivo. Os vetos ainda precisam ser analisados pelo Congresso.

A nova legislação tornou obrigatório o registro da operação no Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) e endureceu as punições para contratações abaixo do piso. Em caso de reincidência, a multa pode chegar a R$ 1 milhão, além de outras sanções administrativas.

Para a FPA, reforçar a fiscalização sem corrigir previamente as distorções da metodologia pode obrigar produtores e empresas a cumprir valores superiores ao custo real do transporte. A bancada quer que a revisão da ANTT incorpore as diferenças de distância, idade da frota, número de eixos, produtividade e aproveitamento do retorno.

A discussão exige equilíbrio. O piso foi criado para impedir que caminhoneiros sejam obrigados a transportar cargas por valores incapazes de cobrir diesel, pneus, manutenção e remuneração do trabalho. A revisão defendida pelo agro não pode retirar essa proteção, mas precisa evitar que parâmetros desatualizados reduzam a competitividade da produção.

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O estudo da USP coloca números nesse debate. Agora, a disputa será sobre quanto dessas conclusões a ANTT aceitará na nova tabela e se o Congresso derrubará os vetos à lei. Para produtores e transportadores, o resultado poderá definir quem pagará a conta das distorções existentes no cálculo do frete.

Fonte: Pensar Agro

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