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Goiás projeta safra recorde de girassol e deve concentrar mais de 70% da produção nacional em 2024/25

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Goiás lidera cultivo de girassol no Brasil

O Estado de Goiás se consolida como o maior produtor de girassol do país, com previsão de uma safra histórica para o ciclo 2024/25. De acordo com o boletim Agro em Dados de junho, divulgado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), a expectativa é colher 71 mil toneladas da oleaginosa em uma área estimada de 47,3 mil hectares.

Participação nacional e crescimento expressivo

Com esses números, Goiás deverá representar 71,6% da produção brasileira de girassol. Em relação à safra anterior, o estado projeta um aumento de 58,8% no volume colhido, além de crescimento de 20,7% na área plantada e de 31,6% na produtividade das lavouras.

Fatores que impulsionam a produção

Segundo a Seapa, o desempenho positivo é resultado de condições climáticas favoráveis, ausência de doenças fúngicas e adoção de práticas eficientes de manejo agronômico. A cultura do girassol vem ganhando espaço nas propriedades goianas, especialmente como alternativa para a segunda safra.

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Vantagens do girassol na segunda safra

Plantado logo após a soja, o girassol apresenta boa resistência à escassez hídrica e menor incidência de pragas e doenças. A cultura também contribui para a melhoria da fertilidade do solo e o aumento da biodiversidade, sobretudo quando associada à apicultura.

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Ampla aplicação industrial

As sementes de girassol têm diversas finalidades industriais. São utilizadas na produção de óleo com alto valor nutricional, além de atender aos setores alimentício, farmacêutico, cosmético, de nutrição animal e de biocombustíveis. Goiás se destaca ainda pelas condições estruturais e climáticas favoráveis ao cultivo da oleaginosa.

Histórico de liderança na produção

O protagonismo goiano na produção de girassol não é recente. Desde 1997, quando a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) começou o monitoramento da cultura, o estado já se destacava como líder nacional. A retomada oficial da liderança ocorreu na safra 2020/21, com crescimento contínuo desde então. Entre os principais municípios produtores estão Silvânia, Ipameri, Rio Verde e Catalão.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

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Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

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Fonte: Pensar Agro

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