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Mulheres em destaque no raio-x do perfil pesqueiro e racial no Brasil

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A presença das mulheres pescadoras ganha destaque nos municípios de Santarém (PA), Bragança (PA) e São Paulo de Olivença (AM). São, respectivamente, 2.804, 1.894 e 2.336. Em Santarém, 97,8% se identificam como pardas ou pretas. Em São Paulo de Olivença (AM), 59,1% se identificam como indígenas. Estes são dados dos resultados preliminares do Mapeamento Socioterritorial da Pesca Artesanal, realizado pela assessoria técnica da Fiocruz, que foi apresentado na sede do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA). O levantamento mostra que, entre os dez municípios com os maiores índices de vulnerabilidade territorial analisados, a atividade pesqueira está diretamente relacionada a comunidades majoritariamente negras e, em alguns casos, à presença expressiva de povos indígenas.

O recorte, apresentado no âmbito do Projeto “Mulheres Pescadoras – Autonomia, Igualdade e Sustentabilidade Ambiental”, integra uma análise realizada em 52 municípios de atenção prioritária, distribuídos pelas cinco regiões brasileiras. O estudo considera diferentes dimensões da realidade dos territórios pesqueiros, entre elas emergência climática e racismo ambiental, populações tradicionais e territórios, segurança alimentar, epidemiologia e saúde, além de economia solidária e cadeia produtiva. É uma parceria entre o Ministério das Mulheres e a Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca – ENSP/Fiocruz, com apoio institucional do Ministério da Pesca e Aquicultura.

Um dos principais destaques dos resultados está no perfil pesqueiro e racial dos dez municípios que aparecem no topo do Índice de Vulnerabilidade Territorial Tradicional (IVTT). O índice combina três dimensões: risco climático projetado, histórico de desastres e presença de territórios tradicionais. Ele serve como instrumento para indicar onde aprofundar a análise, sem substituir a escuta das comunidades ou representar, isoladamente, o impacto dos riscos sobre a pesca. Seus resultados não substituem a escuta das comunidades nem representam, isoladamente, os impactos dos riscos sobre a pesca artesanal.

Mulheres aparecem em destaque nos territórios mais vulneráveis

Entre os municípios que lideram o ranking, Santarém (PA), Bragança (PA) e São Paulo de Olivença (AM) apresentam números expressivos de pescadoras artesanais registrados no levantamento.

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Em Santarém, primeiro colocado no IVTT, são 7.807 pescadores inscritos no Registro Geral de Atividade Pesqueira (RGP), dos quais 2.804 são pescadoras, correspondendo a 34,6% do total. O município apresenta ainda 97,8% de população parda ou preta entre as declarações raciais válidas e registra presença indígena de 0,9%.

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Em Bragança, quinto município do ranking, o levantamento registra 3.584 pescadores no RGP, sendo 1.894 mulheres, o equivalente a 75,1% do total. A população parda ou preta representa 88,8% das declarações raciais válidas.

Já em São Paulo de Olivença, no Amazonas, são 4.715 registros no RGP, com 2.336 pescadoras, ou 41,3% do total. O município chama atenção também pela forte presença indígena: 59,1% das declarações raciais válidas correspondem à população indígena, enquanto 40,7% se identificam como pardas ou pretas.

Os dados também evidenciam a diversidade dos territórios pesqueiros. Entre os dez municípios analisados estão localidades da Amazônia, do litoral e de áreas do interior, com presença de territórios indígenas e quilombolas. Santarém, por exemplo, reúne duas terras indígenas e seis territórios quilombolas; São Paulo de Olivença registra seis terras indígenas; e Ubatuba (SP) possui duas terras indígenas e três territórios quilombolas.

Etnias
Múra (Autazes -AM)
Kokama, Tikúna, Matsés, Matís, Kulina Páno (São Paulo de Olivença – AM)
Kaixana, Kokama, Tikúna (Fonte Boa – AM)
Guaraní (Paraty – RJ)
Arapiun (Santarém – PA)
Guaraní (Ubatuba – SP)

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“A história de quem trabalha com a pesca artesanal é marcada por lutas e resiliência. Quem ajuda a colocar o alimento na mesa de milhões de brasileiros geralmente tem as águas como única fonte de sustento. São homens e mulheres que têm a pesca como missão de vida”, ressaltou o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo.

Mais de 100 mil pescadoras no recorte analisado

A dimensão feminina também aparece de forma expressiva quando observada a partir dos registros profissionais. Nos 52 municípios prioritários, o levantamento identificou 106.548 pescadoras artesanais profissionais inscritas no Registro Geral da Pesca (RGP). O próprio levantamento aponta que as vulnerabilidades climática, territorial, alimentar e produtiva frequentemente se sobrepõem em um mesmo território, indicando a necessidade de políticas públicas articuladas e adequadas às especificidades das comunidades pesqueiras.

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Arquivo MPA
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Distribuição regional da pesquisa:

Norte:
AM · Autazes, Fonte Boa, São Paulo de Olivença, Tefé
PA · Abaetetuba, Augusto Corrêa, Belém, Bragança, Cametá, Curralinho, Mocajuba, Oeiras do Pará, Ponta de Pedras, Prainha, Salvaterra, Santarém, São Sebastião da Boa Vista, Tracuateua

Nordeste:
BA · Canavieiras, Santa Cruz Cabrália
CE · Cascavel, Fortim
MA · Icatu, Pedro do Rosário
PB · Conde
PE · Itapissuma
PI · Esperantina, Nossa Senhora dos Remédios
RN · Macau, Natal, Parnamirim
SE · Estância, Laranjeiras

Sudeste:
ES · Piúma, Vila Velha
MG · Montes Claros
RJ · Angra dos Reis, Cabo Frio, Magé, Paraty
SP · Icém, Peruíbe, Ubatuba

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Sul:
RS · Rio Grande, Tramandaí, Viamão
SC · Capivari de Baixo, Imaruí, Imbituba

Centro-Oeste:
GO · Luziânia
MT · Cáceres, Cuiabá

Conhecer os territórios para fortalecer políticas públicas

O Mapeamento Socioterritorial da Pesca Artesanal contribui para o conhecimento sobre as comunidades que vivem da pesca e sobre as diferentes dimensões que impactam sua autonomia, sustentabilidade e qualidade de vida.

A pesquisa está estruturada em quatro eixos temáticos e duas mesas de diálogo, reunindo informações sobre emergência climática e racismo ambiental; populações tradicionais e territórios; segurança alimentar, epidemiologia e saúde; e economia solidária e cadeia produtiva. Ao colocar as mulheres pescadoras e marisqueiras em evidência, os resultados ajudam a revelar uma dimensão fundamental da pesca artesanal brasileira: as mulheres não estão à margem da atividade, mas integram de forma decisiva a vida econômica, social, cultural e territorial das comunidades pesqueiras.

Mais do que identificar números, o mapeamento aponta onde estão essas mulheres, quais territórios ocupam e quais vulnerabilidades se sobrepõem nesses espaços, informações que podem contribuir para aproximar as políticas públicas da realidade de quem vive e trabalha nas águas brasileiras.

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Élen Gorski
Ministério da Pesca e Aquicultura
[email protected]

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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Hambúrguer e pescado de Ribeirão Preto podem ser comercializados em todo o Brasil

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Duas agroindústrias de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, passaram a ter autorização para comercializar seus produtos em todo o território nacional após o reconhecimento do Serviço de Inspeção Municipal (SIM) do município pelo Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi-POA). A equivalência foi reconhecida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), por meio de portaria publicada no dia 8 de setembro.

As empresas produzem pescado pronto para preparo em fritadeiras elétricas e hambúrgueres. Para os empreendimentos, a mudança permite buscar clientes fora do mercado atendido anteriormente pelo serviço municipal.

Uma das empresas produz tilápia, surubim, tilápia recheada com provolone, croquete de tilápia e camarão. Os produtos são comercializados por meio de delivery, empórios, lojas de conveniência, boutiques de carne, bares e restaurantes, além de vendas entre empresas.

Com a ampliação da área de comercialização, a empresa pretende desenvolver novos canais de distribuição e, conforme a formalização de contratos, aumentar a produção e o número de funcionários.

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Na indústria de hambúrgueres, a integração ao Sisbi-POA também abre a possibilidade de comercialização para estabelecimentos de outros estados. A empresa já atende clientes e recebe demanda de hamburguerias de São Paulo, Minas Gerais e outros estados próximos. A produção é automatizada, e novos investimentos estão previstos para 2027.

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As duas empresas autorizadas a utilizar o selo deverão incluir nas embalagens a inscrição Sisbi, do Mapa, indicando que a inspeção foi feita pelo município, mas equivalente àquela feita pelo Mapa.

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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