Na manhã desta quarta-feira, 9 de julho, o Ministério Público de Mato Grosso se manifestou publicamente sobre as investigações envolvendo as edições da Festa do Agricultor no município de Carlinda. Em áudio exclusivo veiculado no programa Informativo Conti, da Rádio Conti, o promotor de Justiça Paulo José do Amaral Jarosiski esclareceu os desdobramentos do inquérito, que investiga possíveis atos de improbidade administrativa e uso indevido de recursos e serviços públicos.
Segundo o promotor, as apurações tiveram início ainda durante o período eleitoral de 2024, após o Ministério Público Eleitoral receber uma denúncia apontando que o então prefeito e candidato à reeleição estaria utilizando o evento para fins de autopromoção, com possível impacto no equilíbrio do pleito.
“Essa investigação teve início no período eleitoral de 2024, o Ministério Público Eleitoral recebeu uma denúncia no sentido de que o então prefeito e candidato à reeleição de Carlinda estaria se beneficiando das festividades da Festa do Agricultor para se promover”, afirmou o promotor Paulo Jarosiski.
A partir dessa denúncia, o caso foi desmembrado em duas frentes: a eleitoral e a cível-administrativa. Esta última tem como objetivo verificar se as condutas atribuídas aos gestores — tanto atuais quanto anteriores — configuram improbidade administrativa, especialmente no que diz respeito ao uso de serviços públicos sem respaldo legal ou documental.
Durante as investigações, o Ministério Público obteve da própria Prefeitura de Carlinda informações de que, em anos anteriores, as festas — embora consideradas privadas — contaram com apoio da municipalidade por meio de trocas de serviços públicos por carne fornecida por produtores locais. Essas práticas, segundo o promotor, ocorreriam sem registro formal ou documentos comprobatórios.
“Essas festividades são privadas, mas em anos anteriores, segundo a prefeitura, havia troca de serviços públicos com fazendeiros e pecuaristas, geralmente em troca de carne para a festa. E esse tipo de troca, sem documentação e sem controle, é ilegal”, afirmou.
O promotor ressaltou que a investigação não tem por objetivo interferir ou inviabilizar a realização das festividades culturais do município, mas sim garantir que o apoio do poder público obedeça aos parâmetros legais.
“A investigação não visa atrapalhar ou impedir a realização da Festa do Agricultor. O que está em apuração é a licitude da aplicação dos recursos públicos. Se o apoio ocorrer dentro das normas legais, não haverá interferência do Ministério Público”, completou Jarosiski.
O inquérito segue em andamento e abrange tanto as ações de 2024 quanto possíveis condutas de gestões passadas, desde que dentro do prazo prescricional de cinco anos. O foco é verificar se houve má utilização de recursos ou serviços públicos em festividades de caráter particular.
A fala do promotor foi considerada importante para equilibrar o debate que tem ganhado força nos últimos dias em Carlinda, especialmente após entrevistas e manifestações públicas da ex-prefeita Carmelinda Leal Martines Coelho, que defendeu sua gestão e criticou o que classificou como “denúncias politizadas”.
O Ministério Público ainda aguarda o envio oficial de documentos por parte da atual administração municipal. A Prefeitura de Carlinda, até o momento, não se manifestou oficialmente sobre o caso.
A Rádio Conti reforça seu compromisso com a informação transparente e continuará acompanhando os desdobramentos desta investigação, ouvindo todos os lados e prestando contas à população de Carlinda com responsabilidade jornalística.