Está no ar o primeiro episódio do programa “Elas tomam partido”, novo produto documental da TV Assembleia de Mato Grosso. Na estreia, o foco é o movimento sufragista e a conquista do voto feminino, mas também são apresentados os primeiros avanços alcançados pelas mulheres, inclusive na Constituição Federal de 1988. Entre as entrevistadas estão a vereadora Edna Sampaio e a ex-vice-prefeita Jacy Proença. Assista aqui a esse episódio.
“A ideia de trabalhar esses assuntos surgiu no início do ano, a intenção era falar sobre a importância da representatividade feminina usando mulheres mato-grossenses como exemplo, de uma forma diferente, uma linguagem mais simples, diferente do padrão reportagem. Pensamos no formato do programa, divididos por temas e tempo médio de 25 minutos”, explica editora de imagens Vivianne Marques, uma das idealizadoras do programa.
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O “Elas tomam partido” terá mais dois episódios, que estreiam nas próximas quartas-feiras deste mês de novembro. O segundo irá ao ar no dia 16 e discutirá representatividade feminina na política e os desafios enfrentados pelas mulheres nesses espaços. A deputada estadual Janaina Riva é uma das entrevistadas. No dia 23, irá ao ar o terceiro programa, que revelará a participação de mulheres mato-grossenses na construção da Lei Maria da Penha e o pioneirismo do Judiciário do estado na aplicação da norma. São entrevistadas a juíza Amini Haddad Campos e a promotora Lindinalva Rodrigues Corrêa, além da ex-senadora Serys Slhessarenko.
Responsável pela apresentação e roteiro, a jornalista Priscila Almeida conta que ao começar a pesquisa para o programa foi descobrindo a participação de mulheres do estado na luta por direitos. “Foi uma surpresa para mim, que não sou de Mato Grosso, mas penso que muita gente daqui também não sabe do papel das mulheres mato-grossenses na evolução dos nossos direitos. Por exemplo, [a cidade] Rosário Oeste já estava muito evoluída na discussão do direito ao voto feminino e Cuiabá foi e ainda é uma referência na aplicação da Lei Maria da Penha. As mulheres em Mato Grosso foram e continuam muito atuantes”, destacou.
Segundo o superintendente da TV Assembleia, Jaime Neto, a emissora tem trabalhado para fazer materiais mais aprofundados, além do jornalismo diário. “O formato desse programa em três episódios foi uma forma nova que encontramos para explorar um tema. Nesse material há muitas mulheres falando, relatando fatos da sua vida, da sua atuação, mostra vários campos de atuação dessas entrevistadas”, resumiu. “Estamos sempre procurando pegar vários temas da sociedade para criar material um pouco mais denso, justamente por se tratar de uma emissora pública”, concluiu Neto. O material produzido pela TV AL teve apoio da Gerência de Publicidade e Marketing da Secretaria de Comunicação, que fez a identidade visual do projeto.
Os programas serão exibidos às 8h nos dias 9, 16 e 23 deste mês, com reprise às 12h30 e às 20h30. Os capítulos são exibidos novamente na quinta (10, 17, 24) e na sexta (11, 18, 25) nos três horários, salvo se houver transmissão ao vivo no horário. A íntegra dos programas também ficará disponível no Youtube neste link.
A Câmara Setorial Temática da Saúde Psicossocial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), presidida pelo deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), realizou, nesta segunda-feira (27), reunião ordinária para discutir a proposta de fluxo de atendimento às emergências e crises em saúde mental na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), contemplando os públicos adulto e infanto-juvenil.
O objetivo foi avançar na construção de protocolos que orientem o atendimento de pacientes em situação de crise, especialmente nos casos que envolvem urgência e emergência, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Centro de Atenção Psicossocial (CAPs), unidades hospitalares e demais pontos da rede.
Durante a reunião, foram apresentados dados sobre a estrutura existente e a atuação das UPAs, destacando a necessidade de integração entre os serviços e a importância de protocolos para dar mais segurança aos profissionais e garantir atendimento adequado aos pacientes. Também foram detalhadas informações sobre a oferta de leitos em UPAs 24 horas em Mato Grosso.
Ao todo, o estado conta com 166 leitos de observação e 45 leitos de urgência distribuídos nas unidades. Cuiabá, por exemplo, possui quatro UPAs de porte III, somando 60 leitos de observação e 16 de urgência, enquanto Várzea Grande conta com uma UPA III, no Ipase, e uma UPA I, totalizando 26 leitos de observação e sete de urgência. As informações constam na Portaria nº 0646/2025/SES.
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Os participantes destacaram que a quantidade de unidades e leitos ainda é considerada baixa diante da dimensão territorial de Mato Grosso e do tamanho da população atendida, o que reforça a necessidade de ampliar a estrutura e melhorar a organização da rede de atendimento.
Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Segundo o deputado Carlos Avallone, a Câmara tem acompanhado relatos de ambulâncias circulando com pacientes em crise sem conseguir atendimento imediato. Ele destacou que a intenção não é apontar culpados, mas identificar os problemas e construir soluções com apoio técnico.
“Na realidade, nós estamos falando do fluxo de urgência e emergência. Temos acompanhado muitos casos de ambulâncias rodando com pessoas em crise, sem ter quem receba. Existe lugar para ser recebido, que são as UPAs, mas, às vezes, isso não acontece porque estão lotadas, porque falta qualificação ou porque falta capacitação. Então, nós precisamos criar um fluxo”, afirmou.
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Avallone também ressaltou que já existem propostas em andamento pela Prefeitura de Cuiabá e pelo Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), que poderão ser analisadas e validadas pela Câmara Setorial.
O coordenador de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Matheus Ricardo Souza, explicou que a proposta busca organizar o percurso do paciente dentro da rede, considerando os diferentes níveis de atendimento.
“O principal objetivo dessa reunião é articular o percurso desse paciente quando ele estiver em situação de crise e precisar de uma atenção especializada e de uma resposta rápida. A ideia é facilitar a assistência e o acesso à saúde nessas condições, tanto para o público infantil e juvenil quanto para o público adulto”, afirmou.
O parlamentar reforçou que a presença de diferentes instituições na Câmara Setorial fortalece a construção de uma proposta conjunta. “Quando se tem um fluxo aprovado por psicólogos, psiquiatras, Ministério Público, Defensoria Pública, Assembleia Legislativa, Estado e municípios, fica muito mais fácil fazer com que ele seja cumprido”, disse.
Para Avallone, a Câmara Setorial tem o papel de reunir especialistas, apoiar tecnicamente os municípios e viabilizar recursos quando necessário. “Criticar é fácil. O mais difícil é estudar, conhecer o caminho, chamar as pessoas para ajudar e colocar o recurso no lugar certo. É isso que estamos fazendo. A Câmara está aqui para ajudar a saúde mental a atender a população que mais precisa, porque ela está sofrendo muito”, concluiu.
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Como encaminhamento, ficou acordada a formação de um grupo técnico para acompanhar a construção de fluxos e protocolos. O trabalho deverá orientar a atuação das unidades envolvidas e melhorar a articulação entre os serviços.
A reunião contou com a participação de representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), de profissionais de saúde e da equipe técnica da ALMT.
Dasos UPAS 24h em MT: ofertas de leitos
Município | Porte | Leitos de Observação | Leitos de Urgência
Cuiabá | 4 UPAs – Porte III | 60 | 16
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Várzea Grande | 1 UPA – III (IPASE) e 1 UPA I | 26 | 7
Poconé | 1 UPA – Porte I | 7 | 2
Barra do Garças | 1 UPA – Porte II | 11 | 3
Juína | 1 UPA I | 7 | 2
Cáceres | 1 UPA – Porte II | 11 | 3
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Rondonópolis | 1 UPA III | 15 | 4
Primavera do Leste | 1 UPA II | 11 | 3
Sorriso | 1 UPA | 7 | 2
Sinop | 1 UPA II | 11 | 3
Total de 166 leitos de observação e 45 leitos de urgência (Fonte: Portaria 065/2025/GBSES/MT. Posição de setembro de 2025).