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AGRONEGÓCIO

ICAP de junho: queda nos custos no Centro-Oeste com avanço da safrinha, enquanto Sudeste segue pressionado

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O Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP) de junho de 2025 revelou um cenário contrastante entre as principais regiões produtoras do país. Enquanto o Centro-Oeste registrou queda nos custos de alimentação para o confinamento, impulsionada pelo avanço da colheita da safrinha, o Sudeste enfrentou alta nos preços devido à dependência de coprodutos e estoques adquiridos anteriormente.

Centro-Oeste: colheita da safrinha reduz custos

No Centro-Oeste, o ICAP caiu 1,79% em junho, atingindo R$ 14,27. A queda foi puxada principalmente pela redução nos preços dos alimentos energéticos (-8,52%) e volumosos (-15,83%).

Destaques:

Redução nos custos de insumos relacionados ao milho:

  • Milho grão seco: -5,95%
  • WDG: -5,56%
  • DDG: -1,75%

Custo da dieta de terminação: R$ 1.401,28 por tonelada de matéria seca.

A colheita da segunda safra de milho continua a pressionar os preços, promovendo alívio nas contas dos confinadores da região.

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Sudeste: custos seguem em alta com coprodutos e estoques antigos

Já no Sudeste, o ICAP registrou alta de 4,11%, fechando o mês em R$ 12,42. O aumento foi impulsionado pela valorização dos insumos proteicos (+8,86%) e pela persistência de estoques comprados no primeiro trimestre, quando os preços estavam elevados.

Insumos com maior impacto na alta:

  • Caroço de algodão: +6,53%
  • Casca de soja: +5,73%
  • DDG: +4,79%
  • Polpa cítrica: +1,00%

O custo da dieta de terminação na região ficou em R$ 1.241,08 por tonelada de matéria seca, aumento de 1,98% frente a maio.

Comparativo anual: Sudeste ainda mais pressionado

Na comparação com junho de 2024, o ICAP acumula alta de:

  • 9,52% no Sudeste
  • 1,49% no Centro-Oeste

Esses aumentos refletem os efeitos do primeiro semestre de 2025, marcado pela forte valorização da arroba e pelos preços elevados de milho e coprodutos no período de compras entre fevereiro e março.

Expectativas para os próximos meses

A tendência é de continuidade na retração dos custos, especialmente no Centro-Oeste, com o avanço da colheita da safrinha e pressão sobre os preços do milho e seus derivados. Apesar de o ritmo da colheita ainda estar abaixo da média histórica, a expectativa de safra recorde sustenta o viés de queda.

Estimativas de custo por arroba e lucratividade

Com base no ICAP de junho e dados do Report de Confinamento da Ponta Agro, as estimativas são:

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Custo por arroba produzida:

  • Centro-Oeste: R$ 209,41
  • Sudeste: R$ 197,15

Lucro estimado por cabeça (considerando preço balcão):

  • Sudeste: superior a R$ 850,00
  • Centro-Oeste: superior a R$ 810,00

Essas estimativas não incluem bonificações por rastreabilidade, padrão de qualidade ou protocolos específicos.

Bonificações podem ampliar margens

Para aumentar a rentabilidade, os pecuaristas devem buscar bonificações junto aos frigoríficos. Atualmente, o diferencial pago pelo Boi China em relação ao preço balcão varia entre R$ 5,00 e R$ 7,50, dependendo da região produtora.

A estratégia, portanto, além da eficiência produtiva, deve incluir negociação de bônus por qualidade e rastreabilidade, ampliando as margens em tempos de pressão sobre os custos.

icap-jul

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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AGRONEGÓCIO

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

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A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

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“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

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Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

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O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

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Fonte: Pensar Agro

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