Na manhã desta segunda-feira, 20 de abril, o pré-candidato a Deputado Federal por Mato Grosso, Ednei Blasius, concedeu uma entrevista de forte repercussão durante o Informativo Conti, na Rádio Conti. Em tom direto e com discurso alinhado à realidade regional, ele detalhou os motivos que o levaram a entrar na disputa eleitoral, apontou gargalos históricos do Norte do estado e fez críticas ao modelo político que, segundo ele, mantém a região sem atividade em Brasília.
Desde o início da conversa, Blasius deixou claro que sua pré-candidatura nasce de um cenário que considera crítico. Ao mencionar cidades como Itaúba, Terra Nova, Peixoto de Azevedo, Matupá, Guarantã do Norte, Novo Mundo, Carlinda e Alta Floresta, ele reforçou que o chamado Nortão segue sem voz ativa no Congresso Nacional. “Literalmente, nós estamos órfãos de pai e mãe a nível de representatividade política em Brasília”, afirmou, sintetizando o sentimento que, segundo ele, é compartilhado por grande parte da população da região.
A fala não veio isolada. Ao longo da entrevista, o pré-candidato construiu uma narrativa baseada na ideia de que a ausência de um representante local abre espaço para práticas recorrentes em períodos eleitorais. Ele criticou a atuação de políticos de outras regiões que, segundo suas palavras, aparecem apenas em época de eleição com promessas pontuais. “Agora começa a aparecer trator, esfriador de leite, bicicleta… tudo com promessinha vazia para tentar pingar e levar nossos votos embora”, declarou, em tom crítico.
Blasius também abordou as dificuldades estruturais para quem tenta ingressar na política sem fazer parte dos grupos tradicionais. Ao comentar o funcionamento do sistema eleitoral, destacou que há barreiras que dificultam a renovação. Ainda assim, enfatizou que conseguiu avançar ao garantir espaço em uma chapa considerada competitiva, classificando essa etapa como um dos maiores desafios já superados até aqui.
Apesar das dificuldades, ele demonstrou confiança na receptividade popular. Como exemplo, citou uma reunião recente em Carlinda que reuniu mais de 30 pessoas em um sábado à tarde, algo que ele considera significativo. “Você fala, mas 30 pessoas é muita gente para discutir política num sábado à tarde. Isso mostra que as pessoas estão interessadas”, afirmou, acrescentando que sua caminhada tem sido marcada por visitas constantes aos municípios do Nortão e diálogo direto com a população.
Ao longo da entrevista, o pré-candidato também apresentou um conjunto de preocupações que, segundo ele, devem estar no centro do debate político regional. Entre elas, destacou a necessidade de rever a legislação da pesca, que, na sua avaliação, impacta diretamente o turismo e o lazer da população. “Nunca vi o pescador de fim de semana impactar na quantidade de peixe. Nosso turismo depende disso”, argumentou.
Outro ponto levantado foi o potencial turístico ainda pouco explorado da região, com destaque para o Parque Cristalino. Blasius criticou a limitação de acesso ao local, afirmando que a estrutura existente não atende à população local. Na mesma linha, abordou a questão da mineração, defendendo melhores condições para regularização dos garimpeiros e criticando o que considera um excesso de burocracia que impede a formalização da atividade.
A infraestrutura também foi alvo de críticas, especialmente em relação à concessão da rodovia MT-208/320. Ele questionou o modelo adotado, citando o valor do pedágio e a falta de melhorias estruturais. “A única obrigação é cobrar pedágio de R$ 11,70, sem oferecer estrutura adequada”, disse, ao defender alternativas como a abertura de novas rotas para reduzir custos à população.
Na área da educação, Blasius apontou a ausência de universidades como um dos principais entraves ao desenvolvimento regional, destacando que muitos jovens são obrigados a deixar suas cidades para estudar. Para ele, esse é um problema que precisa ser enfrentado com prioridade.
No campo político, o pré-candidato destacou que sua construção passa por alianças estratégicas. Ele mencionou o apoio do ex-governador Mauro Mendes, pré-candidato ao Senado, e afirmou que foi bem recebido dentro do União Brasil. Ao mesmo tempo, deixou claro que não pretende se envolver em disputas internas de grandes lideranças, defendendo que o foco deve estar nas demandas da região. “Essa discussão macro é de cachorro grande. Nós temos que pensar no Nortão”, pontuou.
Ao falar sobre estratégia eleitoral, Blasius demonstrou pragmatismo ao explicar a escolha partidária, destacando que optou por uma legenda com maior capacidade de eleger representantes. Segundo ele, estar em uma chapa forte aumenta as chances de conquistar espaço e, consequentemente, garantir voz para a região em Brasília.
Um dos compromissos mais enfáticos assumidos durante a entrevista foi a manutenção de proximidade com a população, inclusive após uma eventual eleição. Ele garantiu que pretende manter um gabinete na própria região. “Eu não vou ficar esperando liderança em Cuiabá. Eu moro aqui, tudo que eu tenho está aqui”, afirmou, reforçando o vínculo com o Nortão.
No encerramento, o pré-candidato fez um apelo direto aos ouvintes, incentivando maior participação política. Ele reconheceu que parte da população está desmotivada, mas defendeu que o envolvimento é essencial para mudanças concretas. “Faça uma reflexão, avalie quem é o Ednei Blasius e ajude. Fale com seus amigos, com seus vizinhos. O Nortão precisa de representatividade”, concluiu.
A entrevista consolidou o posicionamento de Blasius como um nome que busca capitalizar o sentimento de abandono político da região Norte de Mato Grosso, apostando em discurso regionalista, proximidade com a população e articulação estratégica para tentar romper estruturas tradicionais e conquistar espaço no cenário federal.